Servidoras da Seap contam suas histórias dentro do Sistema Penitenciário

Enviado por yasmin.cavalcante em Qui, 09/03/2023 - 15:32
Foto: Uchoa Silva /NCS Seap
Foto: Uchoa Silva /NCS Seap

 

No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na década 70 e simboliza a luta histórica das mulheres contra as desigualdades e discriminação de gênero. Na Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), elas são 1.547 servidoras, distribuídas em vários cargos, representando mais de 31% do total de servidores.

 

“A ampliação na participação das mulheres em diversas áreas de trabalho, inclusive dentro da segurança pública, uma área ocupada tradicionalmente pelo sexo masculino, representa um grande passo no reconhecimento do papel das mulheres na sociedade e isso, é o que almejamos. A presença feminina é fundamental dentro de qualquer ambiente profissional, a atenção, o cuidado e a sensibilidade das mulheres são capazes de transformar e revolucionar  a vida de todos nós.”, afirma o secretário Coronel Marco Antônio Sirotheau Correa Rodrigues.

 

Para homenagear as mulheres, neste mês de março, a Seap vai destacar a trajetória, as superações e toda a dedicação de três servidoras que estão representando as demais que atuam no sistema Penitenciário paraense. Destacando cada frente de trabalho, onde o papel de liderança feminino faz a diferença no dia a dia.

 

Mulheres na linha de frente

 

A servidora Eslaine Almeida sempre sonhou fazer parte da segurança pública, e isso foi possível através do primeiro concurso de policiais penais da Seap. “Sei que é uma profissão muito masculinizada, mas estar aqui é uma realização pessoal. Eu sinto orgulho de também representar a força das mulheres dentro da segurança pública”, conta a policial. 

 

Almeida, como é conhecida dentro do sistema prisional, integra o Grupo de Ações Penitenciárias (GAP). “Nada me impede de atuar juntamente com os demais policiais na parte operacional, consigo exercer funções administrativas e quando necessário, as operacionais”, afirma.

 

“Já recebi críticas externas, principalmente de pessoas que não entendem a minha profissão. Ser uma policial penal é um desafio diário, mas, graças a Deus, tenho o respeito da tropa”, revela Almeida. 

 

A psicóloga Elainne Lobo é servidora do sistema penitenciário há 20 anos, e já passou por diversas casas penais, tanto na região metropolitana quanto no interior do Estado e atualmente trabalha na sede da SEAP, à frente da coordenadoria de assistência e valorização do servidor (Cavs).

 

Mais de 4 mil servidores da Seap são direta e indiretamente acolhidos pela Cavs, seja através de projetos como a “Cavs Itinerante”, que leva a equipe multiprofissional para as unidades ou através das campanhas de valorização do servidor, como as ações de saúde.

 

A rotina de trabalho na coordenadoria é intensa, pois trata-se de um serviço de portas abertas. “Lá a gente atende os servidores através da demanda espontânea, todos que procuram o serviço são atendidos, temos uma equipe multiprofissional, com psicólogos, assistente social, nutricionista, enfermeiras, entre outros”, afirma a coordenadora. 

 

Segundo Elainne, as dificuldades que as mulheres enfrentam estão enraizadas na sociedade patriarcal e machista. “Todas as conquistas e direitos vieram através de muita luta, ainda temos muito que conquistar. Antes não era comum ver mulheres em cargos de gestão e liderança aqui na secretaria, mas hoje temos muitas mulheres à frente de diretorias, coordenações, na direção das casas penais, e até mesmo como chefe de gabinete”. 

 

A presença de mulheres em cargos de liderança dentro de um ambiente majoritariamente masculino é uma forma de valorizar o trabalho desempenhado por elas. “Durante todos esses anos eu nunca me senti desrespeitada, sempre fui valorizada no meu trabalho, tanto que aceitei o convite para assumir a coordenação da Cavs”, finaliza Lobo. 

 

Prestes a completar 1 ano como diretora da Central de Triagem Metropolitana II (CTM II), Ruth Benassuly relembra o ingresso no serviço penal. “Eu entrei em 2007 para trabalhar na parte jurídica, depois passei pelas áreas de contratos, licitações e convênio. Em 2019, fiz a solicitação para trabalhar em uma unidade penal porque tinha vontade de conhecer o funcionamento da cadeia, então comecei como coordenadora administrativa no Presídio Estadual Metropolitano III (PEM III), depois fui para o Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e lá eu recebi o convite para estar à frente da direção do CTM II”, conta.

 

O maior desafio é vencer as resistências, para Ruth as mulheres conseguem administrar uma unidade prisional evitando a necessidade de uso da força física. “Eu mostro para os servidores que precisamos fortalecer a administração, e trabalhar de forma harmônica, sem competir. Só assim podemos fazer um bom trabalho. Se houver alguma resistência, sei que é nessa hora que você consegue se sobrepor e mostrar que nós mulheres somos capazes de calar uma cadeia sem a força fisica”, afirma a diretora.

 

Reconhecimento

 

No Pará existem 54 unidades prisionais, sendo cinco delas sob a direção de mulheres, são elas: Dorotea Lima da Central de Triagem da Cremação (CTC), Karla Azevedo da Central de Triagem da Cidade Nova (CTCN), Rita Costa do Centro de Reeducação Feminino (CRF), Inês Reis do Presídio Estadual Metropolitano III (PEM III), e Kelvia Araújo do Centro de Recuperação Penitenciário V (CRPP V).

 

Para João Barbosa, diretor de administração penitenciária, a participação das mulheres é um divisor de águas na construção de uma sociedade mais justa. “As mulheres do sistema penitenciário desempenham com muito êxito o seu trabalho diuturnamente, sejam elas, nas áreas administrativa, saúde e operacional, mas principalmente as que estão na direção de unidade prisional, diretoras, coordenadoras e gerentes, possuidoras de um olhar diferenciado e expertise, que resolvem todas as complexidades e problemáticas que surgem no dia a dia”.

 

Texto: Yasmin Cavalcante - Núcleo de Comunicação Social / SEAP