Governo do Pará amplia reinserção social com entregas estratégicas em Marabá

 

 

Com a parceria do Tribunal de Justiça do Pará e prefeitura de Marabá, foram entregues a Fábrica de bloquetes e a Central de Alternativas Penais para fortalecer a inclusão e a redução da reincidência penal

 

 

 

Central Integrada de Alternativas Penais já está funcionando na Usina da Paz do município de Marabá, no sudeste estadual

Central Integrada de Alternativas Penais já está funcionando na Usina da Paz do município de Marabá, no sudeste estadual

 

 

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), realizou, nesta terça-feira (5), em Marabá, duas entregas estratégicas para o fortalecimento da legislação de execução penal e da reinserção social. A programação incluiu a ativação da Central Integrada de Alternativas Penais (CIAP), na Usina da Paz do município, e a entrega da fábrica de bloquetes no Complexo Penitenciário local.   

 

A iniciativa consolida um modelo de política pública que integra qualificação profissional, inclusão produtiva e desenvolvimento urbano, ampliando oportunidades para pessoas privadas de liberdade e fortalecendo ações interinstitucionais.  

 

Também está a todo vapor a fábrica de bloquetes, blocos pré-moldados de concreto para a pavimentação de ruas e calçadas

Também está a todo vapor a fábrica de bloquetes, blocos pré-moldados de concreto para a pavimentação de ruas e calçadas

 

A fábrica de bloquetes passa a integrar a política estadual de reinserção social, com foco na qualificação profissional e na ampliação de frentes de trabalho dentro do sistema prisional. O projeto segue modelo já implantado no Complexo Penitenciário de Santa Izabel do Pará, onde foram produzidos quase 206 mil blocos de concreto ao longo de seis anos.  

A unidade também integra uma rede estadual em expansão. Sete estruturas já foram implantadas, sendo quatro em operação, com 53 pessoas privadas de liberdade em atividade. O projeto prevê novas unidades nos municípios de Breves, Salinópolis, Abaetetuba e Paragominas.  

 

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Foto: Divulgação

 

 

Em Marabá, a estrutura é resultado da cooperação entre diferentes instituições. A Seap responde pela gestão operacional e segurança, com uso de maquinários do Programa de Capacitação Profissional (Procap). O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) atuou na articulação institucional, enquanto a Prefeitura de Marabá disponibilizou o espaço físico e garantiu o fornecimento de insumos, incluindo materiais reaproveitados, alinhando a iniciativa a práticas sustentáveis.

 

O titular da Seap, coronel Marco Antônio Sirotheau Corrêa Rodrigues, destacou o alcance da iniciativa. “A instalação da fábrica representa um avanço ao integrar formação profissional e cooperação entre instituições. Além de fortalecer a execução penal, o projeto contribui para a melhoria da infraestrutura urbana e amplia as oportunidades de reinserção social”, afirmou.  

 

Representantes do Governo do Pará, Tribunal de Justiça do Estado e Prefeitura Muncipal de Marabá na Central Integrada

Representantes do Governo do Pará, Tribunal de Justiça do Estado e Prefeitura Muncipal de Marabá na Central Integrada

 

 

A operação envolve cerca de 40 custodiados dos regimes fechado e semiaberto, com capacidade de produção de até 70 mil bloquetes por mês. Os materiais serão destinados a obras de pavimentação de ruas, praças e espaços públicos, com intervenções iniciais previstas no bairro Liberdade e em agrovilas da região.  

 

Trabalho, renda e ressocialização  

 

Além da qualificação profissional, o projeto assegura remuneração equivalente a um salário mínimo e o benefício da remição de pena, conforme previsto na legislação. O modelo também prevê rotatividade entre os participantes, acompanhando a progressão de regime.  

 

 

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Foto: Divulgação

 

 

Representando o Executivo estadual na região, o secretário de Governo do Sul e Sudeste do Pará, João Chamon Neto, ressaltou o impacto social da iniciativa. “A ação garante trabalho aos apenados, possibilita a redução de pena e contribui diretamente para a pavimentação de vias públicas. É uma união de esforços que beneficia a população e fortalece a ressocialização”, destacou.  

 

O prefeito de Marabá, Toni Cunha, enfatizou os ganhos sociais e econômicos da parceria. “Além da gente oferecer trabalho aos apenados, nós vamos poder ter uma mão de obra qualificada. Então é extremamente importante essa aliança entre a prefeitura, entre a Secretaria de Sistema Penitenciário do Estado Pará, para ofertar trabalho a esses homens que vão receber da prefeitura. Uma parte vai para o sustento da sua família e ao mesmo tempo, eles vão executar uma política pública importante como essa”, afirmou.  

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

 

Para o interno Anderson Oliveira de Souza, a oportunidade representa um novo caminho. “Essa iniciativa mostra que estamos aptos a retornar à sociedade e contribuir de forma positiva. É uma chance de recomeçar e fazer diferente”, relatou.  

 

O juiz Caio Berardo, coordenador geral do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário, do TJPA, destacou a importância da ação, especialmente para internos do regime fechado.  

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

 

“Fazia tempo que nós pensávamos numa atividade para o interno do regime fechado. Em geral, é mais fácil com quem está no regime semi-aberto, que pela lei pode sair para fazer o trabalho externo, mas para aquele que fica no regime fechado, as oportunidades acabam sendo menores. E inspirados em outras unidades que tinham atividades semelhantes, e olhando que nós temos uma área apropriada, nada mais natural do que unir os esforços tanto do município, quanto do governo do Estado e a execução penal, responsável pela gerência de todo esse ambiente", explicou o magistrado.   

 

Alternativas penais e redução da reincidência  

 

Além da fábrica, a Seap ativou a Central Integrada de Alternativas Penais (CIAP), que funcionará na Usina da Paz de Marabá. A unidade integra um conjunto de ações voltadas à qualificação do acompanhamento de pessoas submetidas a medidas judiciais alternativas à prisão.

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

 

As centrais são resultado de convênio entre a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e a Seap, em parceria com o TJPA, com atuação de equipes multidisciplinares compostas por psicólogos e assistentes sociais. A iniciativa representa avanço significativo na consolidação da política de alternativas penais estaduais, fortalecendo a integração entre o Poder Executivo estadual e o Sistema de Justiça.

 

 

O diretor de Execução Criminal da Seap, Lucas Bellard, detalhou o processo de implantação. “A unidade de Marabá é fruto de articulação institucional e de convênio com o Ministério da Justiça, por meio da Senappen. O objetivo é garantir acompanhamento técnico qualificado às pessoas em cumprimento de medidas alternativas, com envio de relatórios ao Poder Judiciário”, explicou.

 

 

Central Integrada

Central Integrada

 

 

Ele informou que a iniciativa está alinhada às diretrizes do Plano Pena Justa, que prevê o fortalecimento das alternativas penais como estratégia para reduzir a reincidência e qualificar a porta de entrada do sistema penitenciário.  

 

Para o juiz Caio Berardo, a CIAP marca um novo momento na política penal do Estado. “Estamos inaugurando a primeira unidade da CIAP, se Deus quiser de muitas aqui no Pará, é uma perspectiva atual em que se trabalha com a alternativa penal, com pequenas ocorrências, com crimes de menor potencial ofensivo, um público que é trabalhado individualmente, que é atendido por uma equipe técnica, é acompanhado de forma que se evite que ele prossiga nessa linha”, destacou.  

 

Uma nova unidade da CIAP está prevista para ser implantada ainda em maio no município de Santarém, ampliando a cobertura da política no Estado.  

 

Fábrica de Bloquetes

Fábrica de Bloquetes

 

 

Texto: Caroline Rocha - NCS Seap

Fotos: Divulgação