Iniciativa da Seap e Senar desenvolve habilidades agrícolas, reduz resíduos e fortalece caminhos para reinserção social.
Um curso profissionalizante de 40 horas vem ampliando as possibilidades de reinserção e qualificando internos no trabalho de transformação de resíduos orgânicos e no cultivo de hortaliças, reforçando práticas sustentáveis dentro do sistema penitenciário. A iniciativa foi realizada na Unidade de Custódia e Reinserção (UCR Salinópolis), em novembro, pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). 15 Pessoas Privadas de Liberdade (PPL’s) participaram do curso, aprendendo a transformar restos orgânicos em adubo natural e cultivar hortaliças como alface, tomate e cenoura.
Além de contribuir para a remição de pena, o curso reforça uma política de qualificação contínua no sistema prisional. Para o técnico de reinserção Anderson Cardoso, o investimento em capacitação evidencia o compromisso ambiental e social da instituição.
“Ter essa possibilidade aqui dentro, é muito necessário, pelo impacto ambiental da compostagem, e profissional na vida deles. Então o empenho da instituição para poder proporcionar ferramentas pedagógicas, é extremamente válido e importante”, afirmou.
A compostagem se apresenta como ferramenta estratégica ao reduzir o descarte em aterros, diminuir a emissão de metano e transformar resíduos em adubo que fortalece o solo e substitui fertilizantes químicos. Associado a isso, o aprendizado em olericultura amplia a produção de alimentos mais saudáveis e sustentáveis, fortalecendo a autonomia agrícola.
Estrutura da formação
A grade curricular integra conteúdos técnicos e práticos nas áreas de compostagem orgânica e olericultura básica. O módulo de compostagem introduz conceitos essenciais, os benefícios do processo e os materiais adequados à produção do adubo natural. Os internos aprendem métodos como leiras e valas, além de estudarem os fatores que influenciam a decomposição, temperatura, umidade e aeração. Também são orientados quanto à seleção dos resíduos, montagem das pilhas, manutenção, viragem, irrigação e aplicação final do composto.
Na olericultura básica, o curso aborda todo o planejamento da horta, da escolha do local à correção do solo. As aulas envolvem técnicas de semeadura, produção de mudas, irrigação, adubação orgânica e convencional, controle integrado de pragas e doenças, além de orientações sobre colheita e manuseio pós-colheita.
O instrutor Orlando Risuenho reforça o impacto profissional e humano do aprendizado. Para ele, as técnicas elevam o potencial de empregabilidade e oferecem um processo de reconstrução emocional. "A rotina, a disciplina e a paciência exigidas pelo ciclo de plantio, cuidado e colheita ajudam a restaurar a autoestima, o senso de propósito e a capacidade de planejamento a longo prazo de internação.", finalizou.
Entre os participantes, o custodiado José Augusto destaca o ganho pessoal proporcionado pela formação. "É um sentimento único poder ocupar a mente, sair da rotina do dia a dia e contribuir, de alguma forma, para o meio ambiente. Também é uma maneira de exercitar tanto a mente quanto o corpo. Para mim, foi uma experiência muito produtiva. A sensação é de muita felicidade," expressou.
O curso encerra com noções de gestão e comercialização, ampliando a autonomia produtiva dos participantes e preparando-os para futuras oportunidades.
Matéria orgânica e olericultura
Matéria orgânica é todo tipo de resíduo originado de vegetais ou animais, vivos ou já decompostos, restos de alimentos, partes de plantas e microorganismos, fundamental para manter o equilíbrio do solo e da água, liberando nutrientes essenciais durante seu processo natural de decomposição.
A olericultura, por sua vez, envolve o cultivo de hortaliças utilizadas na alimentação, abrangendo folhas, caules e raízes. A prática inclui desde o preparo do terreno e a semeadura até os cuidados de crescimento e a colheita, podendo envolver técnicas tradicionais ou métodos modernos de produção agrícola.
Texto: Fernanda Ferreira / Estagiária NCS Seap Pará (Com supervisão de Caroline Rocha)