
Parceria entre SEAP, TJPA e Faculdade Estácio promove oficinas práticas e reforça a reinserção social de internas, conectando conhecimento, autoestima e oportunidade.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), em parceria o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) e a Faculdade Estácio, promoveu na sexta-feira (11), mais uma edição do “Projeto Realize”. Essa foi a 8º edição da iniciativa, que reuniu cerca de 30 internas da Unidade de Custódia e Reinserção Feminina (UCRF) de Ananindeua, que puderam participar de momentos de aprendizagem, dentro do ambiente educacional.
As ações ocorreram na sede da Faculdade Estácio, onde as custodiadas puderam aprender no ambiente propício para ensino. Para uma melhor dinâmica, as internas foram divididas em grupos de 10, e de acordo com áreas de interesse. Houve workshops de oratória, para desenvolver uma melhor comunicação, atividade pedagógica, onde as internas tiveram aulas de dança com diversos ritmos para desenvolvimento pessoal e bem-estar, e para aprendizagem prática no word, somando conhecimentos bases no mercado de trabalho.

Evandro Lima, analista em gestão penitenciaria da Diretoria de Reinserção Social (DRS) da Secretaria, detalhou a responsabilidade organizacional do projeto juntamente com o seu propósito. “É muito interessante, porque elas se sentem parte também de uma instituição, né? Então esse sentir parte provoca um anseio de fazer uma faculdade, de ter um interesse, mesmo que não seja da faculdade, mas de dar continuidade, de sair desse ambiente prisional. Então a possibilidade de uma reflexão em torno da situação que elas estão hoje, da situação que elas podem ter no futuro, e isso é extremamente importante na questão motivacional, a motivação de não continuar no ambiente que está hoje”, disse.
Parcerias – A parceria proporciona a possibilidade de trazer essas oficinas para que a atividade ocorra, disponibilizando todo apoio necessário. Francisco Neto, professor e coordenador de pesquisa, extensão e internacionalização da Estácio, explica a necessidade das parcerias para a ocorrência dessa atividade.
“O Projeto Realize é um projeto de extensão que acontece á partir de uma cooperação técnica entre a SEAP, Faculdade de Estácio, e o Tribunal de Justiça. Então, é de suma importância que isso aconteça porque ele possibilita tanto para a Faculdade de Estácio FAP devolver a sua produção teórica como forma de contribuir com a sociedade, assim como também um cenário de prática para os nossos alunos e de desenvolvimento pessoal e profissional para as mulheres privadas de liberdade que participam das ações”, concluiu Francisco Neto.

Além disso, o coordenador também ressalta a importância do projeto para a vida das internas pós comprimento de pena. “Então, essas ações que envolvem as áreas de conhecimento, as diversas áreas disciplinares dão conta aí de uma construção, né? Diferentes habilidades, competências para que essas mulheres ao retornarem para a liberdade, possam, com esses conhecimentos adquiridos no projeto, engraçarem no mundo do trabalho”, afirmou Francisco Neto.
Em paralelo a isso, os alunos da instituição também absorvem os benefícios do projeto “O Projeto Realize, ele acaba sendo também um cenário de prática. Prática profissional para esse nosso aluno. Os alunos participam do Projeto Realize para o desenvolvimento das ações sobre supervisão direta e sistemática dos nossos docentes. Então esse projeto de extensão ele também favorece com que esse aluno, ele se desenvolva do ponto de vista das habilidades e competências que o seu curso de graduação requer”, disse o coordenador.
Por dentro das oficinas, Juliene Lima, interna que participou do curso de oratória, falou sobre a relevância que a atividade teve em sua vida. “Foi muito legal, porque é uma forma de se expressar ao público, porque realmente tem pessoas que têm muita dificuldade, tem medo, tem orgulho, inclusive eu tive muita dificuldade lá, outras reagiram bem, então foi muito legal pra a gente, cada um conseguiu passar um pouco e aprender muito com as outras. É muito importante, e a gente aprende bastante na questão de ganhar espaço no mercado de trabalho. Então isso vai servir muito para mim quando eu quiser colocar um currículo lá fora, é algo que eu aprendi que foi muito importante na minha vida e que eu vou levar para fora”, conclui Juliene.

Participando da oficina de informática, onde estiveram aprendendo a trabalhar com word, a interna Charloene Gomes também comentou a sua visão sobre o aprendizado. “É importante, não só para mim, mas para várias internas que hoje em dia já têm outras expectativas e através dessas oportunidades. Nós viemos melhorando cada dia mais o nosso projeto de reabilitação, então eu agradeço muito pela oportunidade. Como a professora falou, isso aqui é um passo, cada dia mais a gente vai, quando a gente vê, a gente já chega onde quer, e tem que ver através disso aqui, que a gente vai aprender a caminhar cada dia mais. Então agradeço muito pelo projeto”, disse Charloene.
Texto: Fernanda Ferreira / Estagiária NCS Seap Pará.