Projeto “Leitura que Liberta” promove reinserção social e transforma vidas de internos de Cametá

Enviado por rivanildo.lima em Seg, 14/04/2025 - 12:24
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Além de promover a ressocialização, o projeto literário contribui para despertar a consciência e senso crítico dos custodiados, contribuindo para a mudança pessoal e a vida pós-cárcere.

 

A Unidade de Custódia e Reinserção de Cametá (UCRCAM) promoveu nesta sexta-feira (11), o encerramento de mais um ciclo do projeto “Leitura que Liberta”, que oferece aos custodiados a oportunidade de remissão de pena por meio da leitura e da produção de resenhas literárias. A iniciativa é realizada na UCRCAM por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em parceria com os professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino fundamental disponibilizados pela Prefeitura de Cametá.

 

O projeto já beneficiou diretamente 32 custodiados, que participaram de atividades de leitura orientada e produção textual. Para a equipe técnica da unidade, a proposta vai além do benefício jurídico da remissão de pena: é um instrumento de reconstrução do indivíduo. O diretor da unidade, Júnior Xavier, destaca que o projeto se tornou uma referência na missão da unidade de custódia.

 

“O projeto vai além da remição de pena, através da leitura, desperta o senso crítico, desenvolve a capacidade de expressão, resgata a autoestima e, acima de tudo, permite que o custodiado enxergue a si mesmo como sujeito de direitos, capaz de reescrever sua própria história”, defende.

 

Xavier aposta que a educação é uma das ferramentas mais poderosas dentro do sistema prisional, e o projeto Leitura que Liberta é a prova que, mesmo em um ambiente de restrição, “é possível plantar esperança, ampliar horizontes e construir novos caminhos”, diz.

 

“A cada livro lido, a cada resenha entregue, percebemos não só o crescimento individual, mas também a mudança coletiva de comportamento, de postura, de visão de mundo. Acreditamos, com firmeza, que a reinserção social só é possível quando há investimento real em educação, cultura e dignidade. E é por isso que esse projeto é tão essencial para a missão desta unidade: não apenas custodiar, mas também restaurar vidas e devolver à sociedade homens mais conscientes, preparados e humanizados”, argumenta o diretor.

 

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Ampliando horizontes - A juíza Pamela Carneiro Lameira, titular da Vara Criminal da Comarca de Abaetetuba, esteve em Cametá atuando como juíza substituta e, durante sua visita de inspeção à unidade prisional, conheceu de perto as atividades do projeto. Em seu relato, destacou o impacto da iniciativa.

 

“Foi uma experiência profundamente marcante. Pude testemunhar o esforço genuíno daqueles homens em buscar o conhecimento, em ampliar seus horizontes, em enxergar na leitura uma verdadeira ferramenta de libertação. Libertação não apenas no sentido jurídico, mas no sentido mais amplo: da mente, da visão de mundo, da maneira de se expressar e se colocar diante da vida”, enfatizou a magistrada.

 

A Técnica de Reinserção Social Policial Penal, Ana Cláudia Valente, responsável pelo acompanhamento pedagógico do projeto, reforça que o impacto individual dos internos quie participam do projeto é visível.

 

“A leitura abre caminhos. Muitos internos que antes tinham dificuldade de se expressar hoje se comunicam com mais clareza, têm opiniões formadas e demonstram interesse em continuar os estudos. Isso mostra que a educação transforma.”

 

Quem também compartilha essa visão é a professora Vanessa Nascimento, docente da Educação Prisional desde 2021, que acompanha de perto o impacto da leitura no cotidiano dos custodiados.

 

“O projeto Leitura que Liberta foi mais uma das transformações que ocorreram no sistema penal em Cametá. Ao longo do meu mestrado, entrevistei meus ex-alunos (egressos) e foi extremamente gratificante observar a evolução educacional de homens que alfabetizamos já adultos na condição de Pessoas Privadas de Liberdade. Essa colheita que vemos hoje nos faz olhar para as dificuldades passadas e ver que valeu a pena.

 

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Superação - Os próprios internos relatam como o projeto tem influenciado suas trajetórias. Jesse Lobas de Ribamar, 42 anos, compartilhou sua experiência. “Eu pude refletir sobre algumas histórias, alguns depoimentos de internos que passaram pela mesma situação que eu estou passando hoje, mas que conseguiram se superar. O projeto dá para nós a condição de nos sentirmos reinseridos na sociedade novamente. A leitura abre um novo horizonte para nós”, disse.

 

Evaldo Arnaud Gonçalves, 50 anos, também participante do projeto comentou como a leitura tem contribuído para a mudança de perspectiva e de uma vida futura.

 

“Na leitura a gente encontra algo que venha transformar a vida da gente. Isso incentiva, traz aprendizado, ajuda a abrir a mente. Quando a gente se dedica à leitura, se afasta de pensamentos negativos e começa a planejar um futuro melhor”, finalizou.


 

Texto: Márcio Sousa