A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), em parceria com a Secretaria de Estado das Mulheres (SEMU), Secretaria de Saúde Pública (SESPA) e a Defensoria Pública, promoveram nesta terça-feira (02) ações de acolhimento, serviços de saúde e cidadania para as internas da Unidade de Custódia e Reinserção Feminina (UCRF) de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
A iniciativa disponibilizou diversos atendimentos na unidade, como consultas de saúde, cortes de cabelo, emissão de documentos, suporte e sensibilização por meio de palestras sobre o fortalecimento da autoestima, desenvolvimento de uma postura resiliente e estímulo à independência econômica.
Parcerias que Fazem a Diferença – A colaboração entre a Seap, Semu, Sespa e Defensoria Pública, foi fundamental para o sucesso da iniciativa. Essas parcerias fortaleceram a rede de apoio às mulheres em situação de privação de liberdade, proporcionando um atendimento mais amplo e integrado.
Michelle Caroline Costa de Holanda, titular da Diretoria de Assistência Biopsicossocial (DAB) da SEAP, destacou que a Seap trabalha na consolidação da Política Nacional de Atenção às Mulheres em situação de privação de liberdade e egressas do sistema prisional (PNAMP).
“A execução de políticas públicas é essencial para o cumprimento da pena e retorno ao convívio em sociedade. A prevenção da saúde da mulher e emissão de documentos são direitos garantidos, e a parceria entre as instituições agiliza o cumprimento dessas demandas. As oficinas e serviços de estética contribuem para o desenvolvimento intelectual e a valorização da autoestima, impactando diretamente na saúde mental dessas mulheres”, ressaltou a diretora.
Garantia de Direitos – A ação demonstra o comprometimento das instituições envolvidas com a reinserção social e o bem-estar das internas, promove a inclusão social e amplia os laços comunitários. As atividades realizadas reforçam a importância de políticas públicas voltadas para a população carcerária, garantindo que essas mulheres recebam o apoio necessário para reconstruírem suas vidas.
“A sensação, hoje, é de que nós não estamos esquecidas. Ser acolhida, como fomos com essa ação, é muito importante para todas nós. É tão bom saber que, mesmo que eu tenha errado, ainda existem pessoas que se importam comigo e acreditam na minha mudança. E é isso que me fortalece”, enfatiza com gratidão a custodiada M.J.
A custodiada também teve a oportunidade de emitir seu documento de Registro Geral, extraviado há mais de dois anos. “Há mais de dois anos eu estava sem identidade, e hoje consegui emitir o meu RG. Esse documento é fundamental na garantia dos meus direitos. Achei tudo muito maravilhoso hoje”, conclui M.J.
A ação ainda contou com a participação de alunos do curso de direito da Universidade da Amazônia (UNAMA) e grupos de voluntárias, o que garantiu 395 atendimentos para as custodiadas.
Sala da Beleza – Resgatar a autoestima é crucial para as internas lidarem com a rotina do confinamento. Essa percepção motivou a cabeleireira Marli Barbosa a se voluntariar, empenhando-se em elevar a autoestima de cada mulher que visitou a “sala da beleza” em busca de um novo corte de cabelo.
“Essa é a primeira vez que trabalho como voluntária. Nós, como mulheres, sabemos a importância de um corte de cabelo, ou até mesmo de limpar as sobrancelhas. Faz uma diferença muito grande na nossa autoestima. Saber que eu posso contribuir para melhorar a vida delas um pouquinho me deixa muito emocionada”, conta Marli Barbosa.
Vivendo no sistema carcerário há 10 anos, a custodiada C.M. entende que eventos como esse possibilita a convivência harmônica entre elas, além de fortalecer emocionalmente as mulheres. “Esse tipo de ação vem para atender às nossas necessidades. Nós precisamos sempre falar e conversar com outras pessoas; precisamos desse apoio. Espero que isso sirva de incentivo para que outros órgãos também se prontifiquem a cuidar da população carcerária”, afirma a interna.
De acordo com Natasha Ferraz, psicóloga da SEMU, “elas também perceberam o espaço da roda de conversa, por exemplo, como a oportunidade para a reflexão sobre o processo de ressignificação das experiências dentro do cárcere, visando ao planejamento a médio e longo prazo de seus projetos de vida”.
A atividade finalizou a série de 14 eventos organizados pela SEMU, com a finalidade de comemorar os 30 anos da Convenção de Belém do Pará, celebrada no dia 09 de junho.
Texto: Jaime Diniz – Estagiário NCS